Emocional: Os Sentimentos Indígenas

Os índios brasileiros viviam em um paraíso onde sua cultura era preservada. Porém, na chegada dos europeus, esse delicado contexto foi desaparecendo aos poucos. As intensas emoções que os indígenas compartilhavam em suas aldeias mudaram completamente.

Sentimentos de revolta, dor e tristeza são relatados quando observamos seus mitos, rituais, poesias e a cosmologia. Assim, a partir da forma de expressão deles é possível notar o significado de ser índio. Muitos desses sentimentos indígenas nos fazem refletir hoje o passado e o futuro de modo a preservar não só a cultura de um povo, mas de todos.

Pintura corporal indígena: marco das emoções

desenhando o braçoA pintura corporal tem diversos significados. Enfeitar o corpo, expelente natural (função de protegê-los de raios solares, insetos e espíritos maus), revelação de algum sentimento, objetivo e até a função social de um índio, identidade da tribo e encontro do parceiro ideal. Por exemplo, cores e desenhos passam mensagens: se um índio tiver uma boa pintura e um bom desenho, ele terá sorte na caça, nas guerras, em viagens, etc.

Ela também é utilizada para comemorar certos acontecimentos, como a colheita, a chuva e a guerra. Aqui neste ritual o jogo das emoções é ressaltado em cada função que a tinta exerce no corpo de um índio ou índia.

Essa arte não possui um significado apenas estético, mas é cercada de valores transmitidos de gerações antigas para os índios atuais. Os materiais mais usados são:

  • Urucum (produz uma tinta vermelha);
  • Jenipapo (com usa coloração azul);
  • Pó de carvão (utilizado com uma loção de suco de pau-de-leite);
  • Calcário (cuja cor extraída é branca).

Cada tribo possui um modo distinto de pintar o corpo e elas conseguem tornar a pintura sua marca. Geralmente, são as mulheres que executam esse trabalho, pintando os corpos do filho e marido. Já a arte plumária, que são enfeites (máscaras, cocares, mantos) ou a cobertura do corpo com penas tem função de transmitir a beleza.

Poesia, ser índio

Neste tópico darei o exemplo dos Guarani Mbya que falam o Tupi-Guarani, uma população com cerca de 27.000 índios. São identificados por usar uma veste de algodão (tambeao) e possuem os mesmos hábitos e expressões linguísticas de seus antepassados. Os seus cânticos e poesias são usados em rituais sagrados por todos os tipos de pessoas com a finalidade de proteção.

A força e a magia das palavras faz com que um Mbya cantem a noite para que no dia seguinte outros Mbyas possam ser aliviados de suas angústias, construindo assim um clima de tranquilidade. Esse ritual é feito todos os dias, durante a noite, e este som volta para todos, como se fosse uma brisa de conhecimento responsáveis por aliviar, orientar e limpar caminhos para que Ñamandu, Deus Primeiro, os ilumine.

Dia do Índio

desenho incaNa cidade de Patzcuaro, no México, em 1940 foi realizado o I Congresso Indigenista Internacional com o intuito de resolver alguns assuntos relacionados as sociedades indígenas de cada país.

Representantes de todos os países do continente americano estavam no congresso e os índios que eram os mais importantes do evento, em razão de sua longa história de massacres e escravidão optaram por não participar, mas em meio aos muitos convites e o entendimento sobre os reais interesses da reunião: a busca por seus direitos, a importância de participarem, resolveram estar em Patzcuaro.

Como 19 de abril representou uma data importante, marcando o indigenismo na história do Brasil, os congressistas instituíram o “dia do índio”.

Foi neste dia que o Instituto Indigenista Internacional, com sede no México, foi criado. O objetivo deles é zelar pelos direitos dos índios nas Américas. O instituto Indigenista Interamericano está ligado aos Institutos Indigenistas Nacionais.

As decisões tomadas no Congresso só foram aceitas pelo governo brasileiro, em 1943, quando os apelos e intervenções de Marechal Rondon ao presidente Getúlio Vargas fixou o acordo do Brasil ao Instituto Interamericano, instituindo o dia do índio no Brasil, por um decreto de lei.

É importante termos uma data que nos ajude a refletir sobre as sociedades indígenas, quer seja em um dia na semana ou uma semana, mas é necessário que haja uma conscientização nacional no Brasil, país caracterizado por várias culturas, para que esse dia seja lembrado sempre.

Ainda hoje, presenciamos ataques aos direitos de povos indígenas e outros tipo de culturas marcadas por preconceitos. Por isso, para que possamos viver de maneira harmônica, aprendendo e respeitando as diferentes visões que temos hoje é necessário que todos tenham esse tema em sua memória.

Literatura Indígena 

livros na mesaUma conquista recente no mundo indígena e ainda pouco estudada. Guardando os sons de seus avós e avôs as histórias sempre foram transmitidas através da fala, ensinando as novas gerações a guardarem na memória tudo o que aprenderam com seus antepassados.

Os europeus imprimiram uma cultura nos índios e a partir disso a literatura indígena foi ganhando espaço. É através dela que há o resgate histórico das diferentes visões de cada etnia indígena.

Sabemos que a cultura indígena foi sendo apagada pelo europeu, mas ainda verificamos os vestígios que não são simplesmente banidos da cultura. É algo que está enraizado em um povo e que mesmo sofrendo dominações não se exclui.

A literatura indígena no Brasil é a forma de visualizar os mitos, os rituais, a cosmologia indígena e outros que nos fazem observar um novo mundo e uma nova cultura. Cultura esta que foi sendo negada até o século XX, mas uma lei aprovada em 10 de março de 2008, a Lei 11.645:

“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.”

Lei aprovada por Luiz Inácio Lula da Silva.

Ainda no século XXI essa literatura vem sendo negada, a cultura etnocentrista ainda faz parte da história e muitas pessoas, até os mais estudiosos tem preconceitos quanto ao assunto.

As características da literatura indígena são a história de seu povo e da vida de um indígena. Tanto a história indígena, quanto a africana devem ser valorizadas e respeitadas. Em 1988, no simpósio sobre os quinhentos anos de história na América Latina, foi apresentado um estudo por Carlos Paladines, no qual ele observa que o indígena tem deixado de ser tema de especialistas (antropólogos, etnólogos, sociólogos, etc.) e passou a ser tratado pelo próprio índio: chamado de indianismo.

Para muitos a literatura indígena se tiver de vir, virá ao seu tempo, como disse o estudioso José Carlos Mariátegui, ou seja, eles produzirão a sua literatura baseada em seus meios e códigos e também sobre o seu universo e sobre a sociedade indígena.

Já para Eliane Potiguara - uma escritora indígena conselheira do Instituto Indígena de Propriedade Intelectual, coordenadora da Rede de Escritores Indígenas na Internet e o Grumin/ Rede de Comunicação Indígena, na I Conferência Internacional de Escritores Indígenas e Afro-descendentes - essa Conferência é uma porta que se abre para acabar com o preconceito literário e a falta de valorização da literatura indígena no Brasil.

Um romance inspirado nos índios foi O Guarani escrito em 1857 por José de Alencar. Esse modo de escrever pode romper o caráter europeu de muitas obras e inserir um pouco da realidade brasileira. Ele conta a história de um povo e um pouco sobre a formação da nacionalidade brasileira.