desenho caravelaCom a chegada dos portugueses, há mais de 500 anos no litoral brasileiro, a vida dos povos indígenas sofreu uma mudança sociocultural. Marcados com a impactante chegada das naus que aportavam no litoral, o europeu e o ameríndio começaram a dividir seus mundos e suas culturas.

Inicialmente o choque não foi tanto, até mesmo porque os nativos nunca tiveram este contato e não sabiam das intenções severas advindas do homem branco (que inicialmente era gente mandada pelo deus Maíra, o criador). Na carta de Pero Vaz de Caminha diz somente que os ameríndios de forma pacífica fixaram o olhar no colar do capitão e simplesmente acenaram para a terra afirmando que lá também havia ouro.

Os portugueses pensaram encontrar selvagens que os atacassem, mas o que encontraram foram povos diferentes que se mostraram receptivos e amigáveis. Essa carta registra o primeiro nome de nossa terra e mostra que aqui não era às Índias como Colombo pensara, mas a América do Sul, chamada de “Ilha de Vera Cruz”.

Os europeus se encantaram com tamanha diferença encontrada entre eles e os índios, e viram que tamanho eram os hábitos, costumes próprios deles. Estes foram usados de maneiras diversas, desde a infiltração da cultura europeia (religião, arte, etc.) até a imposição do trabalho (produtos, defesa do território) e redução de suas populações (guerras).

Descoberta e o Choque entre Culturas

As missões exploratórias dos europeus originavam conflitos, ou seja, eles eram responsáveis por incentivar guerras entre etnias para que pudessem atrair o maior número de indígenas para a sua exploração, soldados que os defendessem de invasores e também para que se convertessem ao cristianismo.

O homem branco era considerado pelos nativos como : “gente de seu deus sol, o criador (Maíra) que vinha sobre as ondas do mar”, mas logo essa visão caiu por terra. Viram que os missionários impuseram a fúria do deus branco sobre eles aterrorizando-os com o inferno e lhes mostrando a punição para os pecados.

De um lado tínhamos povos de uma civilização pacífica com concepções totalmente diferentes do que é mundo e de outro uma civilização que considerava os índios inocentes e que só serviam para o trabalho escravo. Em pouco tempo algumas destas populações sumiram, devido às guerras, enfermidades e fugas.

bússola antigaEntre 1534 e 1536, o Brasil foi sendo colonizado ainda mais pela quantidade de navios estrangeiros na costa brasileira. Dom João Terceiro dividiu a colônia em capitanias hereditárias, e em cada uma delas selecionou os vassalos (capitães donatários). Elas eram baseadas em: grande propriedade rural, o trabalho escravo e a monocultura de açúcar. E, como nem todos os capitães se adequaram com as condições climáticas e nem com a cultura, muitas capitanias não foram ocupadas, impedindo assim, que índios fossem exterminados.

No século XVII com o avanço dos bandeirantes (pessoas que faziam expedições dentro do Brasil em busca de escravos e concubinas) a população encontrada em 1500 foi alterando. Os indígenas que antes ocupavam a faixa litorânea brasileira, foram lentamente para o interior do país em busca de melhores condições de vida. Os motivos dessa fuga foram:

  • A fome: muitos deixavam de produzir para o seu sustento, para produzir mercadorias;
  • As doenças dos europeus: varíola, doenças venéreas, sarampo entre outras, atingiam os índios de repente por que estes não desenvolveram anticorpos para determinadas doenças. Estas viravam epidemias e acabavam exterminando populações inteiras;
  • A indiferença com relação a cultura e aos costumes: os índios tinham que aprender a cultura europeia. Além disso, os colonizadores os obrigaram a aprender e falar português, a aceitar o Deus deles, a abandonar os hábitos que possuíam a séculos.

As missões jesuítas se esforçavam para derrubar a cultura indígena com a catequese tentando retirar a imagem do pajé, de instituições tribais, do ritual de canibalismo, a poliginia (muitas mulheres) e outras concepções.

O Índio Atualmente

livros velhosO tema índio é amplamente discutido atualmente e vemos um passado marcado pelo desaparecimento e preservação dessas sociedades.

Desde o século XVII encontramos na lei garantias que legalizavam as terras para as populações indígenas (uma carta enviada a Dom Diogo de Menezes Serqueira, governador do Brasil pelo rei de Portugal Filipe II que determinava aos índios serem senhores de suas terras, sem que qualquer indivíduo pudesse ter posse e mudá-los para outro sitio contra sua vontade), e ainda afastavam pessoas com interesses comerciais ou extrativistas de determinado território.

A Constituição de 1988 protege os direitos do índio assegurando que não poderiam forçá-lo ou introduzir outra cultura a eles. Toda a sua cultura passou a ser reconhecida.

A dominação durou em média 506 anos e nela os povos indígenas foram perdendo seu espaço no território brasileiro. Mas em meio a este passado há índios que sobreviveram para relembrar os valores trazidos da sua cultura, as experiências e os conhecimentos que adquiriram ao longo dos séculos. Eles ajudaram a construir o Brasil e conseguiram gerar uma identidade cultural, mesmo depois da influência de outras culturas.